A ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) contabilizou R$ 18,5 bilhões em financiamentos apenas em março de 2026, o 4º maior volume da história, com alta de 53,9% em relação a 2025. Os números confirmam um cenário de crédito habitacional em expansão, e dois dos maiores bancos privados do país acabam de tornar o acesso ainda mais amplo: o Santander passa a financiar até 90% do valor do imóvel para clientes com perfil AA, enquanto o Itaú reduziu taxas nas linhas Uniclass e Personnalité.
O que muda no Santander a partir de 12 de maio de 2026
A partir de 12 de maio de 2026, o Santander implementa mudanças que afetam diretamente o valor da entrada e o teto de aprovação do financiamento:
- Percentual financiável ampliado de 80% para 90%: clientes com perfil AA (melhor classificação de crédito do banco) agora podem financiar até 90% do valor do imóvel. Na prática, a entrada mínima cai de 20% para 10% do valor da propriedade.
- Margem de comprometimento de renda ampliada de 30% para 40%: o banco passa a considerar até 40% da renda bruta para o cálculo da parcela, o que aumenta o valor aprovado no financiamento.
- Taxa mínima de 11,79% a.a. + TR (Taxa Referencial, índice de correção usado nos financiamentos): redução de 0,20 ponto percentual em relação à taxa anterior de 11,99% a.a.
- Prazo de até 420 meses (35 anos) pelo sistema SAC (sistema onde as parcelas diminuem ao longo do tempo), para imóveis a partir de R$ 90 mil.
A combinação de financiamento a 90% do imóvel com margem de renda a 40% amplia consideravelmente o público elegível. Uma família com renda de R$ 10 mil, que antes aprovava parcelas de até R$ 3 mil, agora pode comprometer até R$ 4 mil, acessando imóveis de valor mais alto com entrada menor.
Itaú reduz taxas nas linhas Uniclass e Personnalité
O Itaú também ajustou suas condições para o crédito imobiliário em maio de 2026:
- Uniclass: taxas a partir de 11,95% a.a.
- Personnalité: taxas a partir de 11,70% a.a.
A linha Personnalité do Itaú apresenta a menor taxa entre os bancos privados analisados neste levantamento, ficando 0,09 ponto percentual abaixo da taxa mínima do Santander (11,79% a.a.).
Caixa Econômica: taxas mais baixas e teto ampliado
A Caixa Econômica Federal mantém as condições mais competitivas do mercado, com taxa mínima de 10,26% a.a. + TR. Para financiamentos destinados à classe média (renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil), o teto da taxa é de 12% a.a.
O valor máximo de imóvel financiável foi ampliado para R$ 2,25 milhões.
No primeiro trimestre de 2026, a Caixa desembolsou R$ 21,4 bilhões em crédito imobiliário, volume 68,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Comparativo de taxas e condições: maio de 2026
| Banco | Taxa mínima (a.a.) | Percentual financiável | Prazo máximo | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| Caixa Econômica | 10,26% + TR | 80% | 420 meses | Teto de imóvel: R$ 2,25 mi |
| Itaú Personnalité | 11,70% + TR | 80% | 360 meses | Menor taxa entre privados |
| Santander (a partir de 12/05) | 11,79% + TR | 90% (perfil AA) | 420 meses | Financiamento de 90% + margem 40% |
| Itaú Uniclass | 11,95% + TR | 80% | 360 meses | Linha intermediária do Itaú |
Simulação de poder de compra por faixa de renda
Para ilustrar o impacto das novas condições do Santander (financiamento de 90% e margem de 40%), confira a simulação abaixo. Os cálculos consideram financiamento SAC (parcelas decrescentes) em 420 meses (35 anos) com taxa de 11,79% a.a. + TR:
| Renda bruta familiar | Parcela máxima (40%) | Valor aprox. financiável | Entrada mínima (10%) | Imóvel até (aprox.) |
|---|---|---|---|---|
| R$ 6.000 | R$ 2.400 | ~R$ 220 mil | ~R$ 24 mil | ~R$ 245 mil |
| R$ 8.000 | R$ 3.200 | ~R$ 295 mil | ~R$ 33 mil | ~R$ 328 mil |
| R$ 10.000 | R$ 4.000 | ~R$ 370 mil | ~R$ 41 mil | ~R$ 411 mil |
| R$ 15.000 | R$ 6.000 | ~R$ 555 mil | ~R$ 62 mil | ~R$ 617 mil |
| R$ 20.000 | R$ 8.000 | ~R$ 740 mil | ~R$ 82 mil | ~R$ 822 mil |
Com renda familiar de R$ 8.000 e as novas condições do Santander, já é possível acessar imóveis até R$ 300 mil em Campinas. Em bairros como Vila Industrial, há opções a partir de R$ 287.000.
Já famílias com renda de R$ 15.000 podem alcançar imóveis entre R$ 500 mil e R$ 800 mil, faixa que inclui apartamentos nos Jardim dos Calegaris (a partir de R$ 411.400).
A ampliação da margem de comprometimento de 30% para 40% é o ponto de maior impacto prático. Para um financiamento de R$ 350 mil em 35 anos, a economia estimada com as novas condições do Santander é de R$ 15 mil a R$ 20 mil ao longo do contrato.
Cenário macroeconômico: Selic e perspectivas
A taxa Selic (taxa básica de juros da economia) encontra-se atualmente em 15% a.a., patamar que pressiona as taxas de financiamento imobiliário para cima. No entanto, as projeções do mercado financeiro indicam uma trajetória de queda, com a Selic podendo recuar para 12,50% até o final de 2026.
Se essa redução se confirmar, é provável que os bancos acompanhem o movimento e ofereçam condições ainda mais competitivas no segundo semestre.
Por outro lado, quem contrata agora com taxas na faixa de 11% a 12% a.a. já obtém condições abaixo da Selic vigente, o que reflete o peso da poupança (SBPE, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, principal fonte de recursos para o crédito habitacional) como fonte de funding para o financiamento de imóveis.
Mercado imobiliário aquecido: ABECIP e Caixa registram recordes
Os dados do setor confirmam o momento de aquecimento:
- A ABECIP registrou R$ 18,5 bilhões em financiamentos com recursos da poupança em março de 2026, o 4º maior volume da história, com crescimento de 53,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
- A Caixa Econômica Federal, líder do segmento, desembolsou R$ 21,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 68,5% na comparação anual.
Esses números indicam que a demanda por crédito habitacional segue forte, mesmo com a Selic em patamares elevados.
O que considerar antes de financiar
Com tantas opções disponíveis, alguns pontos merecem atenção na hora de escolher o banco e a linha de crédito:
- Compare o CET (Custo Efetivo Total, que inclui juros, seguros, tarifas e taxas administrativas): a taxa nominal é apenas uma parte do custo. Esses valores variam entre instituições e podem mudar o cenário da comparação.
- Avalie o percentual de financiamento ideal para seu perfil: financiar 90% reduz a entrada, mas aumenta o valor total pago em juros ao longo do contrato.
- Considere a portabilidade: se a Selic cair conforme projetado, será possível migrar o financiamento para condições mais favoráveis no futuro.
- Simule em mais de um banco: a diferença de 1 ponto percentual na taxa pode representar dezenas de milhares de reais ao longo de 35 anos.
Em Campinas, há opções para diferentes orçamentos. Para quem busca entrada reduzida, o bairro Jardim São Gabriel oferece imóveis a partir de R$ 260.000. Já quem procura imóveis acima de R$ 800 mil encontra opções no Lenheiro (a partir de R$ 970.000).
Perguntas Frequentes
As novas condições do Santander, com financiamento de até 90% do imóvel para perfil AA e margem de comprometimento de renda de 40%, passam a valer a partir de 12 de maio de 2026.
A Caixa Econômica Federal oferece a menor taxa mínima, a partir de 10,26% a.a. + TR. Entre os bancos privados, o Itaú Personnalité apresenta a menor taxa, a partir de 11,70% a.a.
Significa que o banco cobre 90% do valor do imóvel e o comprador precisa dar apenas 10% de entrada. Antes, o padrão do Santander era financiar 80%, exigindo 20% de entrada. Exemplo: para um imóvel de R$ 400 mil, a entrada cai de R$ 80 mil para R$ 40 mil.
As taxas atuais de financiamento (entre 10,26% e 11,95% a.a.) já estão abaixo da Selic vigente de 15%. Se a Selic cair para 12,50% como projetado, os bancos podem reduzir ainda mais as taxas, e a portabilidade de crédito permite migrar o contrato para condições melhores no futuro.
Atualmente, a Caixa Econômica Federal financia imóveis de até R$ 2,25 milhões com recursos da poupança (SBPE).
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